10 filmes para escritores ou aspirantes


Hello, peopl!


Vocês sabem o quanto sou alucinada por cinema - embora assista muito menos filmes agora, com Eliz ainda pequena, do que via antes. Mas todas as vezes que alguém indica  filmes de roteiros incríveis e que lembram escritores, eu vou correndo ver. Não só por ser uma escritora, mas porque adoro um roteiro bem elaborado. Por isso sempre dou vez em assistir os filmes do Oscar que concorrem a melhor roteiro. 

Então preparei uma lista minha com indicações de filmes que sempre me lembram minha função como escritora, e também adoradora de roteiros. 

Vamos lá!

  • Meia Noite em Paris


Sinopse: Gil (Owen Wilson) é um escritor e roteirista americano que vai com a noiva Inez e a família dela à Paris, cidade que idolatra. Ele realiza vários passeios noturnos sozinho e descobre que, surpreendentemente, ao badalar da meia-noite, é transportado para a Paris de 1920, época e lugar que considera os melhores de todos. Nessas "viagens", Gil vai a várias festas onde conhece inúmeros intelectuais e artistas que admira e que frequentavam a cidade-luz naquela época, como F. Scott FitzgeraldGertrude SteinErnest HemingwaySalvador Dali, e outros, até que tenta acabar o seu romance com Inez, pois se apaixonou por Adriana (Marion Cotillard), uma bela moça do passado, e é forçado a confrontar a ilusão de que uma vida diferente (a "época de ouro" francesa) é melhor do que a atualidade.

Minhas considerações: Além de ser um filme plasticamente belo, Meia Noite em Paris tem uma estrutura de roteiro muito bem elaborada e firme que segura o espectador do começo ao fim pelo simples fato de nos deixar curiosos para saber como diabos o filme vai acabar. Como se o personagem principal estivesse passando por um tipo de indecisão a lá Escolha de Sofia, e essa espécie de emaranhado no enredo é uma delícia de ser estudado, porque ainda que não seja novo, sempre tem público. Principalmente quando o pano de fundo é tão complexo como o de Meia Noite em Paris. 



  • Sociedade dos Poetas Mortos




Sinopse: Conta a história de um professor de poesia nada ortodoxo, de nome John Keating, em uma escola preparatória para jovens, a Academia Welton, na qual predominavam valores tradicionais . Esses valores traduziam-se em quatro grandes pilares: tradição, honra, disciplina e excelência.
Com o seu talento e sabedoria, Keating inspira os seus alunos a perseguir as suas paixões individuais e tornar as suas vidas extraordinárias.
O filme mostra também que em certa altura da vida, as pessoas, em especial os jovens, deveriam opor-se, contestar, gritar e sobretudo ser "livres pensadores", e não deixar que ninguém condicione a sua maneira de pensar, mas também ensina esses mesmos jovens a usarem o bom-senso.
A Sociedade dos Poetas Mortos é formada por Todd A. Anderson (Ethan Hawke), Neil Perry (Robert Sean Leonard), Steven K. C. Meeks Jr. (Allelon Ruggiero), Charlie Dalton (Gale Hansen), Knox T. Overstreet (Josh Charles), Richard S. Cameron (Dylan Kussman e Gerard J. Pitts (James Waterston).
Repleta de citações de grandes nomes da literatura de língua inglesa, como Henry David Thoreau, Walt Whitman e Byron, e de belas imagens metafóricas, Sociedade dos poetas mortos deixa uma profunda mensagem de vida sintetizada na expressão latina Carpe diem ("aproveite o dia"), cujo sentido é: aproveite, goze a vida, ela dura pouco, é muito breve. Uma das fontes originais do roteiro é certamente O Despertar da Primavera de Frank Wedekind, que enfoca jovens vivendo numa escola alemã no final do século XIX.

Minhas considerações: Não tem como não elogiar esse filme. Não há possibilidade de deixar de derramar milhões de elogios para ele. Senhor dos Anéis tem o pódio de primeiro lugar no meu coração, mas Sociedade dos Poetas Mortos conseguiu sozinho o segundo lugar, quando o Senhor dos Anéis precisou de três filmes juntos para desbancar esse, que é meu xodó desde que tinha 12 anos e vi pela primeira vez. 
Minha indicação desse filme nem é por ter um roteiro complexo, ainda que ele tenha méritos incríveis construídos em pilares comuns, mas pelo sentimento que transmite. De que posso mais. Sempre mais do que já faço. Foi depois de ver esse filme que tive certeza que queria trabalhar com livros, sendo escritora ou educadora, não importava muito. Só sabia que seria com livros. E sempre recomendo quando vejo um escritor desmotivado com a função de escrever. 


  • As Horas


Sinopse: Com a exceção da cena de abertura e da cena de encerramento, que retratam o suicídio de Virginia Woolf no Rio Ouse, em 1941, a ação do filme se passa durante o período de um único dia em três anos diferentes, que se alternam ao longo da narrativa. Em 1923, Virginia começa a escrever o romance Mrs. Dalloway em sua casa na cidade de Richmond, no interior da Inglaterra. Em 1951, a dona de casa Laura Brown vê na leitura de Mrs. Dalloway uma oportunidade para escapar da rotina convencional que leva com o marido e o filho em Los Angeles. Em 2001, a nova-iorquina Clarissa Vaughn personifica a personagem-título do romance ao passar o dia preparando uma festa em homenagem ao seu amigo e ex-namorado Richard, um escritor que há anos vive com AIDS e que está prestes a receber um renomado premio literário. Richard frequentemente se refere a Clarissa como "Mrs. Dalloway", porque, assim como a personagem descrita por Woolf, ela está sempre procurando se distrair preocupações menores para evitar encarar a própria vida.

Minhas considerações: Além do brilhantismo da atuação de Kidman fazendo uma Virginia Woolf impecavelmente deprimente, esse filme é trabalhado em cima da obra principal da autora, Mrs. Dalloway, que é uma maravilha de construção de roteiro. No início do filme a gente fica meio perdida com as três protagonistas, mas com o tempo vemos como foi incrível essa construção de momentos diferentes e de como dar para sentir nitidamente o que se sente ao ler o livro, mesmo que nem todo o filme seja inspirado fielmente nele. A personagem de Kidman, por exemplo, interpreta a própria autora. 


  • O Iluminado


Sinopse: Jack Torrance, um escritor e um alcoólatra em recuperação, aceita um emprego como zelador fora de época de um hotel isolado chamado Hotel Overlook. Seu filho possui habilidades psíquicas e é capaz de ver coisas do passado e do futuro, como os fantasmas que habitam o hotel. Logo depois de se instalarem, a família fica presa no hotel por uma tempestade de neve e Jack torna-se gradualmente influenciado por uma presença sobrenatural; ele desaba na loucura e tenta assassinar sua esposa e filho.

Minhas considerações: Aqui vai para aqueles que querem trabalhar suspense e terror sem cair na pieguice, o que é difícil hoje em dia. É preciso doses extras de Stephen King para pegar uma coisa banal, como um hotel depressivo no meio de um inverno rigoroso e uma família aparentemente sem atrativo algum, e fazer uma obra imortal de gelar os pelos dos braços, ao ponto do próprio hotel ganhar vida no nosso imaginário como terror. Quer construir algo no gênero? Assista os filmes inspirados nos livros do King. Nem todos são incríveis, temos algumas bombas, mas de modo geral são maravilhosos para pensar em roteiros. 


  • Dogville


Sinopse: Anos 30, Dogville, um lugarejo nas Montanhas Rochosas. Grace (Nicole Kidman), uma bela desconhecida, aparece no lugar ao tentar fugir de gângsters. Com o apoio de Tom Edison (Paul Bettany), o auto-designado porta-voz da pequena comunidade, Grace é escondida pela pequena cidade e, em troca, trabalhará para eles. Fica acertado que após duas semanas ocorrerá uma votação para decidir se ela fica. Após este "período de testes" Grace é aprovada por unanimidade, mas quando a procura por ela se intensifica os moradores exigem algo mais em troca do risco de escondê-la. É quando ela descobre de modo duro que nesta cidade a bondade é algo bem relativo, pois Dogville começa a mostrar seus dentes. No entanto Grace carrega um segredo, que pode ser muito perigoso para a cidade.

Minhas considerações: Ahhh, os filmes do Lars Von Trier! Todos eles são um verdadeiro banho de roteiro bem delineado e o tipo de filme que pira a cabeça de quem assiste. São bizarros e as vezes incompreendidos, mas na boa? Sempre vi uma arte incrível e uma inteligência impressionante no que assisti dele até hoje, e inevitavelmente penso em algumas de suas histórias quando quero fazer algo incomum. Assistam Dogville. É um espetáculo! 


  • Escritores da Liberdade


Sinopse: No filme, a professora Erin Gruwell assume uma turma de alunos problemáticos de uma escola que não está nem um pouco disposta a investir ou mesmo acreditar naqueles garotos. No começo a relação da professora com os alunos não é muito boa. A professora é vista como representante do domínio dos brancos nos Estados Unidos. Suas iniciativas para conseguir quebrar as barreiras encontradas na sala de aula vão aos poucos resultando em frustrações.
Apesar de muitas vezes apresentar desânimos nas chances de um resultado positivo no trabalho com aquele grupo, Erin não desiste, levanta a cabeça e segue em frente.
Mesmo não contando com o apoio da direção da escola e das demais professoras, ela acredita que há possibilidades de superar as mazelas sociais e étnicas ali existentes. Para isso cria um projeto de leitura e escrita, iniciada com o livro " O diário de Anne Frank" em que os alunos poderão registrar em cadernos personalizados o que quiserem sobre suas vidas.
Ao criar um elo de contato com o mundo Erin fornece aos alunos um elemento real de comunicação que lhes permite se libertarem de seus medos, anseios, aflições e inseguranças.
Erin consegue mostrar aos alunos que os impedimentos e situações de exclusão e preconceito podem afetar a todos independente da cor, da pele, da origem étnica, da religião etc.

Minhas considerações: Esse é um filme bem mais com a cara dos educadores do que dos escritores, ainda assim penso na escrita sempre que o assisto. Como a professora do filme lança a ideia de diários para esses meninos contarem suas próprias histórias, imagino a quantidade de ideias que iriam surgir na cabeça de alguém que escreve com um material como esse. Não há nada melhor do que histórias reais para cria ficções tão críves que toquem fundo os leitores. 


  • Onde os fracos não tem vez



Sinopse: Texas, década de 80. Um traficante de drogas é encontrado no deserto por um caçador pouco esperto, Llewelyn Moss (Josh Brolin), que pega uma valise cheia de dinheiro mesmo sabendo que em breve alguém irá procurá-lo devido a isso. Logo Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino psicótico sem senso de humor e piedade, é enviado em seu encalço. Porém para alcançar Moss ele precisará passar pelo xerife local, Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones).

Minhas considerações: Sou apaixonada na atuação dos atores desse filme (Tenho um fraco pelo Bardem atuando), mas sobretudo sou apaixonada em como o roteiro desse filme se constrói, e de como sou pega de surpresa constantemente em todo ele. 


  • Forrest Gump



Sinopse: Quarenta anos da história dos Estados Unidos, vistos pelos olhos de Forrest Gump (Tom Hanks), um rapaz com QI abaixo da média e boas intenções. Por obra do acaso, ele consegue participar de momentos cruciais, como a Guerra do Vietnã e Watergate, mas continua pensando no seu amor de infância, Jenny Curran.

Minhas considerações: Quem nunca viu esse? Pelo amor de Deus, vá ver agorinha! Aposto que esse foi um roteiro dificílimo de ser escrito, porque ele passeia por diversos acontecimentos reais da história americana usando o protagonista como participantes deles também. Amo como tudo foi trabalhado nesse filme, e penso com frequência nele quando acho que meu livro esta indo por um caminho difícil e acho que não vou dar conta. 

  • Mary Shelley




Sinopse: Filme de época baseado na história verídica de Mary Wollstonecraft Godwin, mais conhecida com Mary Shelley, e na sua relação com o poeta romântico Percy Bysshe Shelley.
No início de século XIX, Mary Godwin conhece um amigo do pai, Percy Shelley, um homem casado por quem se apaixona. Acabam por fugir os dois para viajar pela Europa e Mary engravida. De volta a Inglaterra, são ostracizados pela relação e pelas ideias progressistas que passam a defender. Em 1918, após dois anos e a morte prematura da filha de ambos, para escapar à crescente marginalização e opressão de que vão sendo vítimas, decidem fugir para a casa de Lord Byron, no Lago Genebra. Durante a estadia, este poeta lança o desafio aos hóspedes para que escrevam contos de terror. Surgiria assim o célebre romance gótico "Frankenstein".
Mais do que a história de um amor e da génese de um dos clássicos da literatura, "Mary Shelley" apresenta-nos o retrato de uma sociedade e reflecte sobre o papel da mulher e das suas lutas, como escritora em busca de reconhecimento.
Um filme realizado pela saudita Haifaa al-Mansour ("O Sonho de Wadjda") e escrito por Emma Jensen, com Elle Fanning no papel de Mary Shelley, Douglas Booth como Percy Blysshe Shelley e Tom Sturridge como Lord Byron.

Minhas considerações: Um livro de uma escritora incrível e que me deu mais vontade de ler o livro dela do que as adaptações de cinema que vi do mesmo. Se o jeito como a história dela foi retratada aqui foi real, então tem todo o meu respeito e admiração pela forma como o livro foi montado. Não é um filme sobre roteiros, mas de como era difícil para uma mulher ser artista  no século XIX, e amo tramas assim. Jane Austen, as irmãs Bronte e agora Mary Shelley tem o meu amor. 

  • Misery


Sinopse: Após sofrer um acidente em uma região isolada, um escritor é salvo por uma ex-enfermeira que é grande  de seus livros. Entretanto, após saber que ele matou sua personagem mais famosa em seu próximo livro, ela passa a torturá-lo na intenção de fazer com que ele desista da decisão. Ela queima o livro anterior e o faz recomeçar outro. Logo, ele descobre o lado obscuro e obsessivo de sua cuidadora, e passa a querer fugir dali.

Minhas considerações: Para aqueles que querem se aventurar por suspense e criar vilões que ficam na cabeça. Ninguém melhor que a protagonista de Misery para isso. A mulher é o cão chupando manga, mas é inesquecível como personagem. E sempre digo que ter um vilão assim é importantíssimo para construção de um bom antagonismo na história. É interessante que o leitor cogite a possibilidade de concordar com o vilão, nem que seja por um mísero momento. Gosto mais deles assim, quando são palpáveis do que as criaturas sempre más que tanto vejo por ai.