5 Motivos para ler o Roteiro de Animais Fantásticos e onde Habitam


Hello, people!
Ler roteiros é complicado, não é? Principalmente para a gente, que ama estar envolvido no clima da magia que um livro como Harry Potter entrega. Um roteiro pode ser algo frio e estranho, em comparação ao livro, mas ainda assim existe um certo tipo de magia nesse tipo de leitura. Por um momento, é como ser transportado para uma tela de cinema de pertinho. 

Veja abaixo uma lista com 5 motivos para ler e curtir essa obra prima. 


  1. Você só vai encontrar o que ler de Animais Fantásticos em forma de roteiro. Não existe livro romanceado da história. Foi escrito pela própria J. K. e mesmo em diálogos e descrições curtas de lugar, dá para ver o dedo dela na escrita. 
  2. É muito mais fácil de entender certas coisas com a leitura do roteiro do que vendo o filme. Como é um filme de fantasia, cheio de explosões visuais, as vezes nos perdemos no ver invés de entender o que os personagens estão fazendo ou dizendo. 
  3. Entendi muito mais Newt lendo esse roteiro do que vendo o filme. O ator é ótimo e soube segurar legal as pontas do personagem, mas nada melhor do que ler ele para senti-lo. A vontade de passar despercebido, de se fundir ao ambiente. Isso está no filme, mas é algo que compreendi melhor depois que li o roteiro. Se já o amava antes, hoje tenho uma verdadeira idolatria pelo personagem. 
  4. Detalhes. O cinema é um arte que nos coloca para entender as coisas por pontos de vista subjetivos. Cada pessoa interpreta algo das situações que aparecem, e as vezes a gente não sabe se foi uma jogada de câmera, apenas, ou se aquele closer tinha algum significado maior. Lendo você sabe que se dão importância de aparecer, é porque é importante. Consegui sentir muito mais os segundo-salemianos com essa leitura. 
  5.  A experiência de um tipo de leitura nova é sempre importante. Se arriscar entre teatro, romance, poesia, roteiros... Tudo é válido quando se trata de leitura. Sempre sou a favor de me arriscar em algo, e não me arrependi nem um pouco por tentar ler esse roteiro. 
É isso ai. 
E para dar mais um motivo para ter esse livro, ele é simplesmente uma das edições mais belas que já vi. É o típico artigo de colecionador. 



10 filmes para escritores ou aspirantes


Hello, peopl!


Vocês sabem o quanto sou alucinada por cinema - embora assista muito menos filmes agora, com Eliz ainda pequena, do que via antes. Mas todas as vezes que alguém indica  filmes de roteiros incríveis e que lembram escritores, eu vou correndo ver. Não só por ser uma escritora, mas porque adoro um roteiro bem elaborado. Por isso sempre dou vez em assistir os filmes do Oscar que concorrem a melhor roteiro. 

Então preparei uma lista minha com indicações de filmes que sempre me lembram minha função como escritora, e também adoradora de roteiros. 

Vamos lá!

  • Meia Noite em Paris


Sinopse: Gil (Owen Wilson) é um escritor e roteirista americano que vai com a noiva Inez e a família dela à Paris, cidade que idolatra. Ele realiza vários passeios noturnos sozinho e descobre que, surpreendentemente, ao badalar da meia-noite, é transportado para a Paris de 1920, época e lugar que considera os melhores de todos. Nessas "viagens", Gil vai a várias festas onde conhece inúmeros intelectuais e artistas que admira e que frequentavam a cidade-luz naquela época, como F. Scott FitzgeraldGertrude SteinErnest HemingwaySalvador Dali, e outros, até que tenta acabar o seu romance com Inez, pois se apaixonou por Adriana (Marion Cotillard), uma bela moça do passado, e é forçado a confrontar a ilusão de que uma vida diferente (a "época de ouro" francesa) é melhor do que a atualidade.

Minhas considerações: Além de ser um filme plasticamente belo, Meia Noite em Paris tem uma estrutura de roteiro muito bem elaborada e firme que segura o espectador do começo ao fim pelo simples fato de nos deixar curiosos para saber como diabos o filme vai acabar. Como se o personagem principal estivesse passando por um tipo de indecisão a lá Escolha de Sofia, e essa espécie de emaranhado no enredo é uma delícia de ser estudado, porque ainda que não seja novo, sempre tem público. Principalmente quando o pano de fundo é tão complexo como o de Meia Noite em Paris. 



  • Sociedade dos Poetas Mortos




Sinopse: Conta a história de um professor de poesia nada ortodoxo, de nome John Keating, em uma escola preparatória para jovens, a Academia Welton, na qual predominavam valores tradicionais . Esses valores traduziam-se em quatro grandes pilares: tradição, honra, disciplina e excelência.
Com o seu talento e sabedoria, Keating inspira os seus alunos a perseguir as suas paixões individuais e tornar as suas vidas extraordinárias.
O filme mostra também que em certa altura da vida, as pessoas, em especial os jovens, deveriam opor-se, contestar, gritar e sobretudo ser "livres pensadores", e não deixar que ninguém condicione a sua maneira de pensar, mas também ensina esses mesmos jovens a usarem o bom-senso.
A Sociedade dos Poetas Mortos é formada por Todd A. Anderson (Ethan Hawke), Neil Perry (Robert Sean Leonard), Steven K. C. Meeks Jr. (Allelon Ruggiero), Charlie Dalton (Gale Hansen), Knox T. Overstreet (Josh Charles), Richard S. Cameron (Dylan Kussman e Gerard J. Pitts (James Waterston).
Repleta de citações de grandes nomes da literatura de língua inglesa, como Henry David Thoreau, Walt Whitman e Byron, e de belas imagens metafóricas, Sociedade dos poetas mortos deixa uma profunda mensagem de vida sintetizada na expressão latina Carpe diem ("aproveite o dia"), cujo sentido é: aproveite, goze a vida, ela dura pouco, é muito breve. Uma das fontes originais do roteiro é certamente O Despertar da Primavera de Frank Wedekind, que enfoca jovens vivendo numa escola alemã no final do século XIX.

Minhas considerações: Não tem como não elogiar esse filme. Não há possibilidade de deixar de derramar milhões de elogios para ele. Senhor dos Anéis tem o pódio de primeiro lugar no meu coração, mas Sociedade dos Poetas Mortos conseguiu sozinho o segundo lugar, quando o Senhor dos Anéis precisou de três filmes juntos para desbancar esse, que é meu xodó desde que tinha 12 anos e vi pela primeira vez. 
Minha indicação desse filme nem é por ter um roteiro complexo, ainda que ele tenha méritos incríveis construídos em pilares comuns, mas pelo sentimento que transmite. De que posso mais. Sempre mais do que já faço. Foi depois de ver esse filme que tive certeza que queria trabalhar com livros, sendo escritora ou educadora, não importava muito. Só sabia que seria com livros. E sempre recomendo quando vejo um escritor desmotivado com a função de escrever. 


  • As Horas


Sinopse: Com a exceção da cena de abertura e da cena de encerramento, que retratam o suicídio de Virginia Woolf no Rio Ouse, em 1941, a ação do filme se passa durante o período de um único dia em três anos diferentes, que se alternam ao longo da narrativa. Em 1923, Virginia começa a escrever o romance Mrs. Dalloway em sua casa na cidade de Richmond, no interior da Inglaterra. Em 1951, a dona de casa Laura Brown vê na leitura de Mrs. Dalloway uma oportunidade para escapar da rotina convencional que leva com o marido e o filho em Los Angeles. Em 2001, a nova-iorquina Clarissa Vaughn personifica a personagem-título do romance ao passar o dia preparando uma festa em homenagem ao seu amigo e ex-namorado Richard, um escritor que há anos vive com AIDS e que está prestes a receber um renomado premio literário. Richard frequentemente se refere a Clarissa como "Mrs. Dalloway", porque, assim como a personagem descrita por Woolf, ela está sempre procurando se distrair preocupações menores para evitar encarar a própria vida.

Minhas considerações: Além do brilhantismo da atuação de Kidman fazendo uma Virginia Woolf impecavelmente deprimente, esse filme é trabalhado em cima da obra principal da autora, Mrs. Dalloway, que é uma maravilha de construção de roteiro. No início do filme a gente fica meio perdida com as três protagonistas, mas com o tempo vemos como foi incrível essa construção de momentos diferentes e de como dar para sentir nitidamente o que se sente ao ler o livro, mesmo que nem todo o filme seja inspirado fielmente nele. A personagem de Kidman, por exemplo, interpreta a própria autora. 


  • O Iluminado


Sinopse: Jack Torrance, um escritor e um alcoólatra em recuperação, aceita um emprego como zelador fora de época de um hotel isolado chamado Hotel Overlook. Seu filho possui habilidades psíquicas e é capaz de ver coisas do passado e do futuro, como os fantasmas que habitam o hotel. Logo depois de se instalarem, a família fica presa no hotel por uma tempestade de neve e Jack torna-se gradualmente influenciado por uma presença sobrenatural; ele desaba na loucura e tenta assassinar sua esposa e filho.

Minhas considerações: Aqui vai para aqueles que querem trabalhar suspense e terror sem cair na pieguice, o que é difícil hoje em dia. É preciso doses extras de Stephen King para pegar uma coisa banal, como um hotel depressivo no meio de um inverno rigoroso e uma família aparentemente sem atrativo algum, e fazer uma obra imortal de gelar os pelos dos braços, ao ponto do próprio hotel ganhar vida no nosso imaginário como terror. Quer construir algo no gênero? Assista os filmes inspirados nos livros do King. Nem todos são incríveis, temos algumas bombas, mas de modo geral são maravilhosos para pensar em roteiros. 


  • Dogville


Sinopse: Anos 30, Dogville, um lugarejo nas Montanhas Rochosas. Grace (Nicole Kidman), uma bela desconhecida, aparece no lugar ao tentar fugir de gângsters. Com o apoio de Tom Edison (Paul Bettany), o auto-designado porta-voz da pequena comunidade, Grace é escondida pela pequena cidade e, em troca, trabalhará para eles. Fica acertado que após duas semanas ocorrerá uma votação para decidir se ela fica. Após este "período de testes" Grace é aprovada por unanimidade, mas quando a procura por ela se intensifica os moradores exigem algo mais em troca do risco de escondê-la. É quando ela descobre de modo duro que nesta cidade a bondade é algo bem relativo, pois Dogville começa a mostrar seus dentes. No entanto Grace carrega um segredo, que pode ser muito perigoso para a cidade.

Minhas considerações: Ahhh, os filmes do Lars Von Trier! Todos eles são um verdadeiro banho de roteiro bem delineado e o tipo de filme que pira a cabeça de quem assiste. São bizarros e as vezes incompreendidos, mas na boa? Sempre vi uma arte incrível e uma inteligência impressionante no que assisti dele até hoje, e inevitavelmente penso em algumas de suas histórias quando quero fazer algo incomum. Assistam Dogville. É um espetáculo! 


  • Escritores da Liberdade


Sinopse: No filme, a professora Erin Gruwell assume uma turma de alunos problemáticos de uma escola que não está nem um pouco disposta a investir ou mesmo acreditar naqueles garotos. No começo a relação da professora com os alunos não é muito boa. A professora é vista como representante do domínio dos brancos nos Estados Unidos. Suas iniciativas para conseguir quebrar as barreiras encontradas na sala de aula vão aos poucos resultando em frustrações.
Apesar de muitas vezes apresentar desânimos nas chances de um resultado positivo no trabalho com aquele grupo, Erin não desiste, levanta a cabeça e segue em frente.
Mesmo não contando com o apoio da direção da escola e das demais professoras, ela acredita que há possibilidades de superar as mazelas sociais e étnicas ali existentes. Para isso cria um projeto de leitura e escrita, iniciada com o livro " O diário de Anne Frank" em que os alunos poderão registrar em cadernos personalizados o que quiserem sobre suas vidas.
Ao criar um elo de contato com o mundo Erin fornece aos alunos um elemento real de comunicação que lhes permite se libertarem de seus medos, anseios, aflições e inseguranças.
Erin consegue mostrar aos alunos que os impedimentos e situações de exclusão e preconceito podem afetar a todos independente da cor, da pele, da origem étnica, da religião etc.

Minhas considerações: Esse é um filme bem mais com a cara dos educadores do que dos escritores, ainda assim penso na escrita sempre que o assisto. Como a professora do filme lança a ideia de diários para esses meninos contarem suas próprias histórias, imagino a quantidade de ideias que iriam surgir na cabeça de alguém que escreve com um material como esse. Não há nada melhor do que histórias reais para cria ficções tão críves que toquem fundo os leitores. 


  • Onde os fracos não tem vez



Sinopse: Texas, década de 80. Um traficante de drogas é encontrado no deserto por um caçador pouco esperto, Llewelyn Moss (Josh Brolin), que pega uma valise cheia de dinheiro mesmo sabendo que em breve alguém irá procurá-lo devido a isso. Logo Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino psicótico sem senso de humor e piedade, é enviado em seu encalço. Porém para alcançar Moss ele precisará passar pelo xerife local, Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones).

Minhas considerações: Sou apaixonada na atuação dos atores desse filme (Tenho um fraco pelo Bardem atuando), mas sobretudo sou apaixonada em como o roteiro desse filme se constrói, e de como sou pega de surpresa constantemente em todo ele. 


  • Forrest Gump



Sinopse: Quarenta anos da história dos Estados Unidos, vistos pelos olhos de Forrest Gump (Tom Hanks), um rapaz com QI abaixo da média e boas intenções. Por obra do acaso, ele consegue participar de momentos cruciais, como a Guerra do Vietnã e Watergate, mas continua pensando no seu amor de infância, Jenny Curran.

Minhas considerações: Quem nunca viu esse? Pelo amor de Deus, vá ver agorinha! Aposto que esse foi um roteiro dificílimo de ser escrito, porque ele passeia por diversos acontecimentos reais da história americana usando o protagonista como participantes deles também. Amo como tudo foi trabalhado nesse filme, e penso com frequência nele quando acho que meu livro esta indo por um caminho difícil e acho que não vou dar conta. 

  • Mary Shelley




Sinopse: Filme de época baseado na história verídica de Mary Wollstonecraft Godwin, mais conhecida com Mary Shelley, e na sua relação com o poeta romântico Percy Bysshe Shelley.
No início de século XIX, Mary Godwin conhece um amigo do pai, Percy Shelley, um homem casado por quem se apaixona. Acabam por fugir os dois para viajar pela Europa e Mary engravida. De volta a Inglaterra, são ostracizados pela relação e pelas ideias progressistas que passam a defender. Em 1918, após dois anos e a morte prematura da filha de ambos, para escapar à crescente marginalização e opressão de que vão sendo vítimas, decidem fugir para a casa de Lord Byron, no Lago Genebra. Durante a estadia, este poeta lança o desafio aos hóspedes para que escrevam contos de terror. Surgiria assim o célebre romance gótico "Frankenstein".
Mais do que a história de um amor e da génese de um dos clássicos da literatura, "Mary Shelley" apresenta-nos o retrato de uma sociedade e reflecte sobre o papel da mulher e das suas lutas, como escritora em busca de reconhecimento.
Um filme realizado pela saudita Haifaa al-Mansour ("O Sonho de Wadjda") e escrito por Emma Jensen, com Elle Fanning no papel de Mary Shelley, Douglas Booth como Percy Blysshe Shelley e Tom Sturridge como Lord Byron.

Minhas considerações: Um livro de uma escritora incrível e que me deu mais vontade de ler o livro dela do que as adaptações de cinema que vi do mesmo. Se o jeito como a história dela foi retratada aqui foi real, então tem todo o meu respeito e admiração pela forma como o livro foi montado. Não é um filme sobre roteiros, mas de como era difícil para uma mulher ser artista  no século XIX, e amo tramas assim. Jane Austen, as irmãs Bronte e agora Mary Shelley tem o meu amor. 

  • Misery


Sinopse: Após sofrer um acidente em uma região isolada, um escritor é salvo por uma ex-enfermeira que é grande  de seus livros. Entretanto, após saber que ele matou sua personagem mais famosa em seu próximo livro, ela passa a torturá-lo na intenção de fazer com que ele desista da decisão. Ela queima o livro anterior e o faz recomeçar outro. Logo, ele descobre o lado obscuro e obsessivo de sua cuidadora, e passa a querer fugir dali.

Minhas considerações: Para aqueles que querem se aventurar por suspense e criar vilões que ficam na cabeça. Ninguém melhor que a protagonista de Misery para isso. A mulher é o cão chupando manga, mas é inesquecível como personagem. E sempre digo que ter um vilão assim é importantíssimo para construção de um bom antagonismo na história. É interessante que o leitor cogite a possibilidade de concordar com o vilão, nem que seja por um mísero momento. Gosto mais deles assim, quando são palpáveis do que as criaturas sempre más que tanto vejo por ai. 

Passados Revelados e porque guardar segredos é uma bosta

Título: Passados Revelados
Autor: Fernanda Caleffi Barbetta


Sinopse: Após o terrível acidente Anne tentava seguir sua vida da melhor maneira possível, continuou trabalhando no escritório de Arquitetura, casou-se com Bruce e aguardava ansiosa as férias de Lisa para que pudesse vê-la. O grande segredo que tentou guardar veio à tona e foi uma grande vergonha diante de seus familiares. Apenas quem não sabia da verdade era Lisa, sabia apenas que era filha de Erick e Claire, e Anne era sua tia, mas desde a morte de Claire a assumiu como filha e em seus primeiros anos de vida morou com Anne em Warren e depois mudou-se para Londres para morar com o pai e a avó.



Não falarei muito sobre do que se trata esse livro, já que ele é a continuação do primeiro e esse tem muita coisa para ser descoberta. Mas posso adiantar que se no primeiro volume a gente fica agoniado de raiva com muitas coisas que não são ditas, nesse o sentimento amplifica. A vontade é de pegar os personagens, sacudi-los e dizer: amigo, fala logo essa bexiga porque guardar segredos não resolve o problema.

É um livro onde todo mundo tem um segredo escondido, o que lembra bastante dramas familiares das grandes escritoras do gênero, como a Sarah Jio e a Lucinda Riley. Só que diferente das muitas páginas que aquelas autoras precisam para desenvolver uma história, Fernanda faz um livro condensado onde só as informações essenciais são transmitidas. 

Sim, não é um livro de narrativa poética, com passagens incríveis sobre a paisagem ou pessoas, coisa que as grandes fazem em suas histórias, e talvez por isso usem tantas páginas. A autora aqui vai direto ao ponto, e isso pode fazer com que o leitor não se identifique por completo com os personagens, que foi o que aconteceu comigo. Eles entram e saem de cena e não senti qualquer tipo de empatia por eles, coisa muito importante para mim quando se trata de dramas familiares. Mas, olha, isso não tira a grandeza do que a autora constrói aqui em termos do emaranhado da problemática que se apresenta no primeiro livro, e que vem se desenvolver nesse. 

É um livro para quem curte dramas familiares dos bons, com direito a situações que vão te fazer degolar um ou outro personagem, mas venham na fé! No fim das contas acho que o final da história foi fantástico e fechou com louvor o que se construiu em todo os dois livros, embora a autora ainda deixe um gancho para desenvolver muita coisa. 

Resenha do primeiro livro: AQUI

Leia também: Outros dramas familiares interessantes





Porque ter uma assessoria literária?


Hello, people! 
Algum tempo atrás comecei a receber na minha página do Wattpad Brasil dúvidas dos autores sobre o que fazer depois que termina de escrever um livro, ou como sair de bloqueio criativo, e outras tantas dúvidas que me davam muitas ideias de planejar conteúdo por lá, como no meu Instagram de autora. 

Com o tempo essa coisa de tirar dúvidas deles começou a pesar porque eu lia o material que me mandavam e ficava sem tempo para as minhas próprias coisas. Acreditem, o volume de material era bem grande.  Foi daí que uma amiga sugeriu que eu poderia tornar isso um trabalho para mim, que já tinha conquistado experiência com os autores que trabalhei durante aqueles anos. 

Eis que surgiu Carol assessora literária. 

No momento acredito que vocês estejam se perguntando diversas coisas sobre o que exatamente eu faço, e vou responder a maioria delas por aqui.

Para quem serve essa assessoria? 

A assessoria serve principalmente para aqueles autores que começaram e não estão conseguindo acabar, que não conseguem criar títulos, que precisam de um beta para opinar sobre o que estão escrevendo, que terminou de escrever e não sabem como enviar para uma editora, que não sabem montar uma campanha publicitária para aquele livro, caso seja autor independente; que não entenda como publicar na Amazon ou mandar um livro para registro na Biblioteca Nacional. Ou seja, para todo aquele que estão com problemas em qualquer um dos processos de escrever. 

Então o que faz um assessor?


  • Funciona como beta reader, apontando problemáticas de continuidade na história. 
  • Auxilia na linha do tempo do livro, como na organização de um cronograma de escrita e roteiro. 
  • Monta junto do autor uma campanha de marketing para autores independentes, escolhendo produtores de conteúdo adequados para o público a que se destina o livro. 
  • Procura junto ao autor os melhores revisores, diagramadores e capistas. 
  • Ensina como registrar o livro na Biblioteca Nacional e publicar na Amazon
  • Mostra os caminhos mais fáceis de conseguir uma editora que tenha interesse na história. 


Como funciona a assessoria? 


  • Encontros semanais em vídeo para explanação de conteúdo passado na semana
  • Contato direto com o assessor via Whatsapp para tirar dúvidas
  • Apostilas em PDF para estudo
  • Análise de texto já pronto por parte do Beta/Assessor
  • Apontamento das problemáticas que podem ser modificadas e de possíveis problemas de continuidade com a história. 


Porque me escolher como assessora? 

Sou escritora da trilogia A Mais Bela Melodia, dos livro Improváveis Deslizes, A Margem Vazia do Rio, Ainda que não reste nada e do conto O Jantar. Já escrevi também o livro "O Segredo do Livro Perfeito: Da ideia até a publicação na Biblioteca Nacional", o qual você encontra AQUI e tem acesso com ele a boa parte do material que eu disponibilizo na assessoria. 
Sou quase formada em Letras e em Biblioteconomia. 
Sou uma leitora e escritora exigente que não se contenta facilmente com tudo o que lê, o que é um ponto positivo para quem busca  um beta crítico. Além de ser blogueira literária há oito anos e estar sempre por dentro de tudo o que se passa no mercado. 
Trabalho com muitos autores na minha página que me buscam procurando ajuda. 
Sou confiável e tenho um grau de conhecimento elevado acerca de construção da literatura


E se quiserem mais detalhes, podem me procurar através do telefone:  82 98886-9517 ou no meu Instagram como autora. Lá dou muitas dicas para quem está nesse ramo. 

https://instagram.com/autoracarolteles?r=nametag

Lançamento quentinho da Morro Branco!

Hello, people!

Vocês sabem que a editora Morro Branco anda sendo meu xodozinho dos últimos tempos. Então toda vez que tem um lançamento deles eu corro para ver ligeiro, com a maior certeza de que vai entrar na minha lista de desejados. Não foi diferente com esse livro novo. #voufalir

Saca só!


Sinopse: Quando a mensagem de uma raça alienígena há muito extinta chega à Terra, parece ser a solução que o planeta precisava. A tecnologia avançada dos Eternos tem a capacidade de reverter dano ambiental e mudar vidas – e Gaia, o antigo planeta natal deles, é um tesouro esperando para ser descoberto.

Para Jules Addison e seus colegas acadêmicos, a descoberta de uma cultura alienígena oferece uma oportunidade extraordinária para estudo… desde que saqueadores como Amelia Radcliffe não roubem tudo. As diferentes razões que Mia e Jules têm para se infiltrar em Gaia os colocam em conflito, mas são obrigados a formar uma frágil aliança depois de enfrentarem outros saqueadores.

Para entrar no templo dos Eternos e acessar a tecnologia e informações nele escondidas, eles precisam decifrar os antigos segredos dessa raça extinta e sobreviver às suas armadilhas. Mas quanto mais aprendem sobre os Eternos, mais sua presença no templo parece parte de algo maior que pode determinar o fim da raça humana…
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀
🎥 ADAPTADO PARA O CINEMA

#OsEternos: O Legado será adaptado para o cinema pela Columbia Film e pela Cross Creek Pictures, com Doug Liman (Identidade Bourne) na direção, além de Jez e John-Henry Butterworth (007 contra SPECTRE) roteirizando a adaptação.



Olha só o que uma leitora falou dele no Goodreads:


"Esse livro é realmente como Indiana Jones no espaço! Com um pouco de Doctor Who, talvez? Eu costumava dizer que realmente não era uma pessoa de ficção científica, mas Amie Kaufman me fez duvidar disso com Illuminae. E aqui vamos nós de novo. Na verdade, estou começando a gostar de espaço ...

A ideia da história é bem simples quando se olha para trás, mas há tantas reviravoltas e coisas para resolver enquanto lemos que parece uma grande aventura. Eu acho que os personagens realmente fizeram essa história muito forte para mim! Ambos recebem um ponto de vista, para que você possa realmente ver o que os impulsiona. Eu amava como eles eram tão inteligentes e bem definidos. A construção de mundo do planeta em que eles estavam era incrível também! Eu não quero falar muito sobre o enredo porque a descrição cobre tudo e qualquer outra coisa pode estragar todo o processo de leitura ... então, definitivamente, verifique isso se você gostou de Illuminae ou Starflight!"



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A Nuvem e quando uma continuação é tão fantástica que dá coceira

Título: A Nuvem
Autor: Neal Shusterman
Editora: Seguinte 
Skoob: Adicionar
Amazon: Comprar

Sinopse: No segundo volume da série Scythe, a Ceifa está mais corrompida do que nunca, e cabe a Citra e Rowan descobrir como impedir que os ceifadores que não seguem os mandamentos da instituição acabem com o futuro da humanidade.
Em um mundo perfeito em que a humanidade venceu a morte, tudo é regulado pela incorruptível Nimbo Cúmulo, uma evolução da nuvem de dados. Mas a perfeição não se aplica aos ceifadores, os humanos responsáveis por controlar o crescimento populacional. Quem é morto por eles não pode ser revivido, e seus critérios para matar parecem cada vez mais imorais. Até a chegada do ceifador Lúcifer, que promete eliminar todos os que não seguem os mandamentos da Ceifa. E como a Nimbo Cúmulo não pode interferir nas questões dos ceifadores, resta a ela observar.
Enquanto isso, Citra e Rowan também estão preocupados com o destino da Ceifa. Um ano depois de terem sido escolhidos como aprendizes, os dois acreditam que podem melhorar a instituição de maneiras diferentes. Citra pretende inspirar jovens ceifadores ao matar com compaixão e piedade, enquanto Rowan assume uma nova identidade e passa a investigar ceifadores corruptos. Mas talvez as mudanças da Ceifa dependam mais da Nimbo Cúmulo do que deles. Será que a nuvem irá quebrar suas regras e intervir, ou apenas verá seu mundo perfeito desmoronar?

Demorei a engatar? Demorei pra cacete, mas porque gosto muito de Citra junto com Rowan, e nesse livro eles praticamente estão separados o tempo todo. Contudo depois que o engate aconteceu, percebi que eles, de fato, precisavam estar separados nessa história. Funcionam bem juntos, mas vê-los lutando um pelo outro, e um acima do outro, é uma causa pela quão eu suporto a distância. 

Continuação tão aguardada de O Ceifador, Shusterman mais uma vez se superar. Mostrando a vida de Citra usando o seu manto espetacular, e de Rowan, sendo um tipo de Batman vingador. Sério, só faltei beijar a página do livro quando vi o que ele se tornou. Duas pessoas que sabem muito bem conduzir suas vidas estranhas de maneira firme, e não deixa espaço para ninguém se intrometer nelas por serem só dois jovens. 

Citra funciona como a cabeça do livro, tomando as atitudes sensatas nas horas corretas. Ela realmente é a voz de uma revolução. Já Rowan é o braço de ferro, a artilharia de um exército. Amo como isso se manifesta neles, e como respondem instintivamente a esse mecanismo que criaram para si mesmos. 

Um terceiro personagem entra na história, na verdade mais dois, porque a Nimbos vai ter muitas passagens interessantes nesse livro. Daquilo tipo que te joga no meio da filosofia da vida e te faz pensar se, ainda que seus meios sejam errados, o fim não os justificam. E o outro personagem não vou dizer qual é para não entregar spoiler, mas garanto que vai te deixar com uma pulga atrás da orelha para entender o papel dele nessa teia que começa a se desenrolar desde o livro anterior. Acabei a história ainda sem saber qual é a do cara, mas sei que será grandioso. 

Os vilões aqui deixam de ser críveis porque, na boa? Não havia necessidade do autor trazer alguns deles. Por que não criar novas cabeças inspiradas nas cabeças anteriores? Não entendi. Mas tudo bem, porque o livro é tão incrível que não deixa margem para te manter no desgosto por muito tempo. 

O final é daqueles de deixar o cabelo em pé. De início achava que era uma duologia, mas esse final serviu para confirmar que não. E vou dizer, viu, no terceiro Citra e Rowan vão vir cortando cabeças. Estou ansiosa que só a porra pelo próximo volume! Certamente que vai passar na frente de muitos. 

Sobre a questão da morte me deixar nervosa quando estou lendo essa série, não senti tanto nesse livro como senti em O Ceifador. Ela está presente, mas não tanto de maneira presente e rasgada como é com o primeiro. Então foi bem mais tranquilo. 

Agora, simbora aguardar pela continuação. 



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Filme de Máquinas Mortais, e porque não basta uma boa ação para a história ser boa


Data de lançamento 10 de janeiro de 2019 (2h 08min)
Direção: Christian Rivers
Elenco: Hera Hilmar, Robert Sheehan, Hugo Weaving
Gêneros Ficção científica, Aventura, Ação
Nacionalidades EUA, Nova Zelândia

Sinopse: Anos depois da "Guerra dos Sessenta Minutos". A Terra está destruída e para sobreviver as cidades se movem em rodas gigantes, conhecidas como Cidades Tração, e lutam com outras para conseguir mais recursos naturais. Quando Londres se envolve em um ataque, Tom (Robert Sheehan) é lançado para fora da cidade junto com uma fora-da-lei e os dois juntos precisam lutar para sobreviver e ainda enfrentar uma ameaça que coloca a vida no planeta em risco.


Máquinas Mortais é um filme inspirado no livro de mesmo nome do autor Philip Reeve, o primeiro de uma série de três, se não me engano. Saiu um tempo atrás pela Novo Século e agora veio de cara nova pela Harper Collins. Ele é uma das minhas leituras do momento, e gostei tanto da ideia e de como o trailer vende, que estava ansiosíssima pela estreia do filme. Tá, não achei uma grande bosta, mas teria ficado puta da vida por ter pago caro para ver no cinema. 

Máquinas Mortais é um filme que vende pelo visual. Grandes Cidades em cima de máquinas de tração que comem cidades menores, que também estão em cima de máquinas. Ou seja, é um deleite para os olhos dos adoradores de ficção científica e de Steampunk. Mas, sendo bem sincera, tirando a ideia incrível das cidades maiores que comem cidades menores, uma analogia perfeita a nossa era moderna, e as incríveis cenas de ação ao estilo Star Wars, eu não vi muita coisa impressionável nesse filme. 

Aqui temos um mundo que foi destruído apos uma guerra de proporções colossais que acabou com o  Globo Terrestre, fazendo com as pessoas tivessem que criar essas cidades de máquinas para conseguir continuar a viver com o caos que ficou a Terra. O plot desse filme em específico é que o vilão encontra a arma que foi usada para essa guerra, e quer refazê-la para destruir uma parede que existe entre o mundo das máquinas de tração, e uma comunidade que foi criada do outro lado. 

Então já vou começando por ele e dizendo que o vilão não me convenceu em nada. Os motivos dele para fazer o que fez eram falhos, e não se sustentavam. Isso só faria sentido em um cara doido, mas ele não era. Calculista e premeditado, um tipo de vilão que convence com as palavras, e não com as atitudes insanas. Ele não tinha necessidade de recriar uma porra de máquinas dessas, e perdeu toda a credibilidade comigo como vilão quando fez isso. 

Pulando para os mocinhos, eles são ótimos separados, mas uma bosta juntos. Você vê nitidamente que o roteiro está forçando um romance que não há motivo algum para acontecer. Dizem que desgraças unem pessoas, mas acho que não funciona do modo como vi nesse filme. Apenas um cara que não sabe se virar no mundo da menina e que precisa dela justamente por isso, e de uma menina que encontra nele o apoio emocional que nunca teve. É uma união por necessidade, saca? Entenderia uma faísca sexual, afinal são dois jovens e belos, mas esse romancezinho piegas, não!


Preciso salientar duas coisas importantes aqui: A primeira é que não há um único beijo em cena, o que diminuiu o tamanho do meu ranço por eles, mas ainda fica aquela coisa irritante de corações no ar quando eles estão juntos. Acho que teria dado mais crédito se o final tivesse sido um pouco menos "filme de sessão da tarde com Julia Roberts". A segunda coisa é que a Hester no livro é feia e causa repulsa no Tom. Entendo que a repulsa mude, com o passar do tempo com eles trabalhando juntos, mas a Hester do filme é graciosamente linda. Tem uma marca no rosto, mas e daí! A mulher é tão linda que ninguém nem olha isso. Mas, tudo bem, é o apelo do cinema e a gente entende. 

O roteiro do filme é bem fraco. Ele dá importância a personagens que de fato no livro tinha importância, mas que aqui ficaram meio perdidos, como a filha do vilão. E corre com os acontecimentos da história para que chegue nas cenas de ação. Então o filme é cheio de frases que mais parecem copiadas de propaganda de manteiga e de explicações narradas, o que nos fazem parecer idiotas, porque se eles tivessem mostrado mais do que houve na guerra e com o mundo depois, e mais da cidade atrás do muro, não haveria necessidade da porra das explicações em cenas que são patéticas de tão clichê. 

Mas ok, admito que as cenas de combate são de encher os olhos. Zepelins incríveis, máquinas de fato mortais, cenas de luta corpo a corpo de causar inveja em Bruce Lee e passagens de cena que são primorosas, como as que pegam memórias da infância de Hester e misturam com o agora. Então o filme não é todo perdido, ele tem coisas que o salvam de levar um grande zero, mas ele poderia ser absurdamente melhor, e saber disso me deixa mega irritada.


Como num filme e porque é importante viver as novidades

Título: Como num filme
Autor: Lauren Layne
Editora: Paralela (Cedido em Parceria)
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Sinopse: As regras são claras... até o momento em que são quebradas. Neste livro da série Recomeços, conheça a história de Ethan. As únicas coisas que o mauricinho Ethan e a rebelde Stephanie têm em comum são o curso de cinema na Universidade de Nova York e o roteiro que precisam desenvolver juntos. Mas, quando a proposta de recriar clássicos de Hollywood se confunde com a realidade, eles acabam se tornando os protagonistas de uma história de amor digna de Oscar! Ela quer um quarto confortável em uma boa casa. Ele quer ficar longe de sua ex. Eles precisam de uma boa nota. Convencidos a ajudar um ao outro, os dois entram em um acordo: Stephanie será a namorada de mentirinha de Ethan enquanto ele a deixa morar em seu apartamento. Para isso, ela deverá fingir ser uma perfeita lady: discreta, arrumadinha e, claro, completamente apaixonada… igualzinha à personagem do filme que estão criando. Contudo, à medida que os dois se aproximam, Ethan se vê completamente apaixonado pela garota cheia de mistérios e contradições ao seu lado. Agora, ele vai ter que decidir: será que seus sentimentos são pela Stephanie de verdade? Ou apenas pela versão que ele criou?

Jamais achei que em algum momento iria sentar de frente para o computador e dizer que meu ano começou bem porque li um romance. Como vocês bem sabem, os romances nos moldes tradicionais dos livros que ando lendo estão bem batidos para mim, e os evito para não ter que revirar os olhos a cada minuto de página lida. Mas daí chegou aqui em casa o Como num filme, que é um livro curtinho que antecede os acontecimentos de Em Pedaços, e como eu tinha achado o outro livro legal e estava atrás de algo despretensioso para ler, cai em cima desse aqui. 

Como num filme vai contar a história do Ethan, que é o ex namorado podre de rico de Olívia, protagonista do Em Pedaços. As editoras vendem esse livro como um 0.5, mas se temos a história de Olívia como o primeiro e do Michael como o segundo, não entendo porque Ethan ganha um 0.5, se ele é um dos pilares do tripé desse relacionamento que se destruiu. Mas, enfim, o livro é dele e de como se inscreve em uma disciplina de cinema nas férias de verão, para fugir do ex melhor amigo e do escritório do pai. 

É lá que conhece Stephanie, uma garota gótica assumida que é apaixonada por cinema antigo e que está cursando a mesma matéria que ele. E olha que ironia do destino quando eles caem como dupla para fazer um roteiro juntos até o final do verão. 

E é ai que entra uma das melhores coisas desse livro: O mito de Pigmalião. Stephanie tem a ideia de criar o roteiro em cima desse mito, e mostra que existem diversos blockbuster no cinema que seguem a mesma linha, como Ela é Demais e Uma Linda Mulher. Ainda que veja semelhança entre os dois filmes em termos de estrutura da transformação feminina, não sabia que ambos eram inspirados no mesmo mito, então fico muito feliz em dizer que agora eu sei um pouco a mais sobre mitologia e sobre cinema, que são duas coisas que idolatro, por causa de um romance de 200 páginas.  

Tirando isso temos os dois protagonistas, que são muito delicinha. Tem temperamentos e personalidades bem distintas, e por isso brigam muito, mas pessoalmente acho uma graça quando estão respondendo automaticamente as alfinetadas do outro. Funcionam bem nessa coisa de bate e volta, como um jogo de tênis bem tenso. Eles são hilários justamente por isso, e dei muitas risadas com ambos. 

Temos a parte séria do livro, porque ambos vem com traumas de um passado recente, e se enfiam em contracenar uma mentira, imitando o mito de Pigmalião, como os personagens de seu roteiro, para livrar Ethan de uma enrascada na família. Isso não pode dar muito certo, não é? Brincar com sentimentos não é lá muito saudável, e eles percebem isso quando sentem que estão de fato se envolvendo um com o outro,. e que não se parecem em nada em metas de vida, gostos e condições. 

Para um livro curto, achei perfeitamente completo. Prova de que não é preciso milhões de páginas para ter uma estrutura de roteiro em livro bem elaborada. Claro que eu queria ter visto mais dessa parte do cinema, ou deles construindo o trabalho juntos, mas foi suficiente. A história ficou crível para mim, e eu sou bem exigente com romances justamente porque acho tudo sempre mais do mesmo. 

Sim, o livro lembra filmes como Ela é demais. Os conflitos, as risadas, os personagens, mas ainda assim é delicioso e cumpre o que promete. E posso dizer de boca cheia que ele é melhor, para mim, do que o primeiro, onde o drama impera em todas as páginas. Acho que trazer leveza é importante, e a autora soube equilibrar isso com eficiência por aqui, me deixando com um sorriso bobo no rosto ao final do livro. 

Sério, já estou sentindo saudade dos personagens! <3 

Vamos conversar sobre o delicioso Sex Education?



Tem tempo que não venho aqui para falar sobre séries, não é? 
Basicamente é porque poucas séries estou conseguindo assistir, e quando consigo passo meses para concluir, o que faz com que eu desanime de falar sobre elas depois. Mas Sex Education foi uma exceção. Comecei e acabei no mesmo dia, e extremamente satisfeita com o material que a série entregou. Ela é de fato viciante nos mais diversos aspectos. Não perfeita, mas eficiente. 

A premissa basicamente é sobre um adolescente, filho de uma terapeuta sexual, que começa a atender seus amigos na escola, aplicando a mesma terapia da mãe neles. Como uma terapia sexual especializada para adolescentes. Detalhe interessante é que ele próprio não sabe trabalhar a sua sexualidade, tendo problemas até para se masturbar. E o engraçado é que a mãe também tem certos traumas, se comportando como uma devassa, ao contrário do filho, em extremos oriundos de uma mesma situação. Então o primeiro ponto positivo da série é mostrar que os psicólogos também são humanos e tem defeitos, e ainda que ajudem pessoas a resolver seus problemas, não são isentos deles. 


Claro que tive meus problemas com certas coisas na série, porque sou chata e exigente de um jeito quase psicótico, mas isso funciona com mais força quando gosto muito de algo e queria que fosse melhor, o que aconteceu por aqui. Por exemplo...

A série traz o aborto como um dos assuntos secundários, mas dá uma passagem tão por cima do que isso significa para quem passa que fiquei ansiosa, esperando que mais algo acontecesse, o que não rolou. A problemática veio e foi sem uma grande mensagem. A lindeza da cena fica por conta do aborto sob a perspectiva de uma personagem que não é do elenco principal da série, mas que dá um show de sensibilidade numa óptica madura e triste. Mas não era o que eu queria ver. Estava acompanhando uma personagem e gostaria muito de ver aquilo com uma repercussão mais séria para ela, e não uma estranha que tinha acabado de aparecer. Acredito que a ideia possa ter sido mostrar que o adolescente não vê com a devida seriedade o fato de fazer um aborto, e se esse for o caso me rendo e bato palmas para a série.


Outro ponto que me incomodou foi o fato do protagonista dar conselhos sexuais de altíssimo nível, ainda que ele mesmo não goste nem de falar sobre sua própria dificuldade. Ser filho de um terapeuta sexual não garante que de repente você vai ser um expert no assunto, até porque ele não era do tipo que ficava ouvindo as sessões atrás das portas ou que perguntava a mãe o que havia acontecido. Então, de onde diabos ele tirava conselhos para dar de coisas que desconhecia? Puro bom senso? Não aceito essa resposta. 

Tiveram alguns outros problemas menores que me incomodaram, mas os dois mais fortes foram esses, e ainda assim um deles é altamente justificável olhando por outro ponto de vista. Então a série continua saindo no lucro. 

Agora os pontos positivos são inúmeros. Adolescentes com problemas sexuais que podem ser bobos, mas ainda assim são problemas e outros garotos podem se identificar bastante com eles. Falar sobre sexo ainda é um tabu para a maioria dos jovens, e ver tão explicitamente em uma série, com conselhos e tudo, pode ser interessante.



O elenco é bem amarradinho. Desde os mais novos e aparentemente insignificantes, até os protagonistas maiores. Existe sempre um fio que liga essas pessoas e que eu, uma apaixonada por roteiros, aprecio totalmente. O tipo de história que conquista pelo elenco, pelas temáticas e pelo ritmo, que não deixa cair em momento algum para tornar cansativo, mesmo que a problemática maior do episódio se resolva ainda nele. Sério, eu que ando sem tempo e sem saco para esse tipo de trama, me vi completamente envolvida nele ao ponto de acabar tudo em algumas horas. 

Super indico Sex Education! Ela é perfeita para aqueles momentos em que você não quer nada tenso, só sentar e se distrair rindo um pouco de uma boa história e com conteúdo. Então se esse for seu desejo, corre lá na Netflix e vai ver essa belezura. 

Kindred e a raiva que tenho quando o final poderia ser melhor

Título: Kindred
Autor: Octavia Butler
Editora: Morro Branco
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Sinopse: MAIS DE MEIO MILHÃO DE CÓPIAS VENDIDAS NO MUNDO. Em seu vigésimo sexto aniversário, Dana e seu marido estão de mudança para um novo apartamento. Em meio a pilhas de livros e caixas abertas, ela começa a se sentir tonta e cai de joelhos, nauseada. Então, o mundo se despedaça.
Dana repentinamente se encontra à beira de uma floresta, próxima a um rio. Uma criança está se afogando e ela corre para salvá-la. Mas, assim que arrasta o menino para fora da água, vê-se diante do cano de uma antiga espingarda. Em um piscar de olhos, ela está de volta a seu novo apartamento, completamente encharcada. É a experiência mais aterrorizante de sua vida... até acontecer de novo. E de novo.
Quanto mais tempo passa no século XIX, numa Maryland pré-Guerra Civil – um lugar perigoso para uma mulher negra –, mais consciente Dana fica de que sua vida pode acabar antes mesmo de ter começado.

Ler Kindred foi quase um parto para mim. Não por ser um livro ruim, longe disso, mas comecei justamente na época que minha avó estava bem doente. E eu estava lendo ele quando me avisaram que ela tinha acabado de falecer. Então imaginam o nível de ranço que peguei pelo livro, não é? Precisei de cinco meses para pegar novamente, e ainda assim li com certa agonia. 

Depois que engrenei na história, não tardei a acabar, mesmo com o nervosismo que ele me causava. Eu queria muito mais do que a autora estava trabalhando, e fui firme até o fim porque achei que ela faria uma certa coisa que passou bem longe de acontecer. Não vou mentir, isso me frustrou. Queria muito ter visto uma certa revolução feminina ali naquele fim, e o que o livro entrega é a linha que achei exatamente que ela iria seguir desde o começo do livro. Não ser surpreendida me deixa meio entediada com uma história.  

Não posso tirar seus méritos, é um livro foda de ficção científica, com um contexto real incrível e levando sempre em consideração o papel da mulher, e nesse caso da mulher negra, na época em que ele se desenvolve. Como a autora trabalha essa questão de passado e presente é simplesmente incrível, e não tenho o que falar sobre isso ou sobre como tudo se constrói nessa história. Com exceção do final, não tenho uma gota de queixa. 

Tive minhas relações de amor e ódio com os personagens, e as vezes até de apatia. Não senti absolutamente nada pelo marido de Dana, e quis enforcar Rufus tantas vezes que me deu agonia. E o incrível é que não o achei um personagem detestável, vi ali na verdade um cara que é fruto de um meio. Foi criado daquela forma, e reproduziu sua criação. Inclusive em relação aos escravos, ele poderia ser bem pior do que foi. Então tinha momentos em que até gostava do cara, mas na cena seguinte fazia umas merdas que, senhor, me davam nos nervos. 

Quanto a Dana sou só elogios. Ainda que eu tivesse feito uma ou outra coisa diferente das dela, de modo geral a personagem é cativante. Na verdade todas as personagens negras desse livro são, até as que nada falam. É um livro onde o papel da mulher tem muita importância, e a autora conduz essa importância com personagens lindamente desenhadas. 

Não foi um livro que me fez sentir a escravidão, porque provavelmente o livro não tinha isso como meta. Ela foi pincelada no nível necessário para causar um incômodo pulsante, mas nada que desse aquela gastura que assistir 12 anos de escravidão dá, por exemplo. Isso não afetou negativamente o que penso sobre a história, mas achei importante citar.

Enfim, achei um ótimo livro, mas que me pegou em um momento ruim e exigente. Ando cada vez mais exigente quanto a tudo. Entendo ter sido o livro predileto de muita gente, entendo mesmo e queria que tivesse funcionado dessa forma para mim também, mas já fico satisfeita por ter achado tão grandioso na medida certa.