[Tag] Dias da semana em livros (Vídeo)


Hey, pessoal, tudo bem com vocês? 
Primeiro queria comentar que NUNCA mais prendo meu cabelo desse jeito para gravar um vídeo! #QuePresepada. Segundo queria dizer que não sei o que porra aconteceu com essa luz que ela parece estar tão estourada. Um dia eu acerto fazer vídeo com essa câmera! 
Enfim, no meu caderno de "vídeos possíveis para gravar" tinha essa tag, que há muito tempo quero fazer e ficava adiando. E eis que chegou a vez dela. 
Acredito que começou no canal da Pam, do Garota It, e consiste em encontrar livros na sua estante de acordo com algumas questões para cada dia da semana. 
Eu adorei fazê-la e espero que vocês gostem também.




[Filme] Birdman (A Inesperada Virtude da Ignorância)







No passado, Riggan Thomson (Michael Keaton) fez muito sucesso interpretando o Birdman, um super-herói que se tornou um ícone cultural. Entretanto, desde que se recusou a estrelar o quarto filme com o personagem sua carreira começou a decair. Em busca da fama perdida e também do reconhecimento como ator, ele decide dirigir, roteirizar e estrelar a adaptação de um texto consagrado para a Broadway. Entretanto, em meio aos ensaios com o elenco formado por Mike Shiner (Edward Norton), Lesley (Naomi Watts) e Laura (Andrea Riseborough), Riggan precisa lidar com seu agente Brandon (Zach Galifianakis) e ainda uma estranha voz que insiste em permanecer em sua mente.


A Inesperada Virtude da Ignorância, e esse filme não poderia ter um codinome melhor. A sensação que fica quando ele acaba é exatamente essa... de como é virtuoso ser um pouco ignorante. Como é macio se manter nessa zona de conforto simplória que estamos acostumados, porque quando saímos dela, o choque das possibilidades pode ser um tanto desnorteador. 

Birdman traz um retrato fiel do que acontece nas coxias do teatro. O frenesi, a loucura, os distúrbios psicológicos que as pessoas desse meio tem tendência a ter. E não por serem oficialmente perturbados, mas porque ser ator, e artista de uma maneira geral, mexe absurdamente com esse lado das possibilidades que citei no parágrafo anterior. No palco tudo é possível, e mesmo atrás dele esse leque de coisas irreais costumam perseguir quem está em frente ao público com constância. É um mundo de realidade irreal. 


Mas, Carol, talvez eu não esteja entendendo muito do que você está falando. 
Isso é porque talvez eu esteja tentando te colocar para pensar sobre o que estou falando. Porque uma coisa é certa assistindo Birdman, se você não parar para pensar nos pequenos detalhes do que o filme mostra, então você não vai apreciá-lo como um bom filme de arte, porque foi justamente o que vi ai: um filme de arte. 

Como diz a sinopse, e ela pode deixar um pouco a desejar no quesito semântico, trata-se de um ator que foi um herói do cinema alguns anos antes, interpretando o Homem Pássaro, e hoje, já esquecido pela mídia por não ter conquistado um papel importante após o Pássaro,  entra como diretor e ator de um espetáculo de teatro na Broadway, de um texto super antigo e um tanto antiquado  para a época tecnológica em que estamos. 

Basicamente é isso o que temos de linha base para o desenvolvimento da história. Contudo dentro dessa linha, existe uma enorme lista de esteriótipos humanos decorrentes do show business. Por exemplo o próprio Birdman, interpretado brilhantemente pelo tão esquecido Keaton, que há anos também não interpreta um papel de peso. Como se o diretor tivesse selecionado a dedo um ex figurão das telonas para interpretar um esquecido das telonas, como ele é hoje em dia. Achei isso genial!


Mas enfim, o Riggan (Birdman) é o tipo de ator sonhador. Aquele que conquistou um público em algum momento e que pensou que continuaria no patamar de importância no cinema por isso, mas que foi deixado de lado por outros tantos mais novos. Inclusive o roteiro trabalha isso brilhantemente, citando jornalistas perguntando se o ator passava um certo tipo de banha para rejuvenescer. Você sente que o personagem tem essa necessidade de parecer mais jovem, e que ele está em busca do papel que vai lhe devolver as primeiras páginas do jornal e garantir que não seja esquecido. 

Keaton o interpreta de uma forma tão poderosa, que por vezes fiquei sem saber se ali na tela era o ator Riggan, ou o ator Keaton. E acho que até o próprio se confundia em alguns momentos. Impossível não confundir. Acho que nunca vi Michael Keaton tão bem em um papel como nesse. Parecia que tinha sido feito especialmente para ele. Pode esperar cenas fortes dele em agressividade - por conta de uma crítica ruim -ou sendo alheio a família de uma forma quase banal. 


Seguindo os esteriótipos também temos Mike, interpretado pelo Norton, que está sensacional nesse papel. Ele é o ator revoltado, que faz as maiores barbaridades e sorri depois. Finge que está tudo bem sendo agressivo e idiota, e no fundo é tão pensador e preocupado quanto qualquer outro artista. Foi meu personagem predileto no filme justamente por essa dualidade convencional. 

E ainda temos a atriz que quer ser o grande nome da Broadway, o empresário que tapa os buracos feito pelo atores, e arranja ideias do nada para tocar o show. A filha rejeitada que se joga nas drogas e culpa o pai pelo abandono, sendo a peça tecnológica que liga o passado e presente da história. O que não falta nesse filme são tipos artísticos brilhantemente interpretados. É tanto que Birdman concorre a três das quatro premiações de atuação.


É um filme de realismo fantástico, onde o real e a metáfora brincam juntas no mesmo espaço, fazendo com que você confunda o que é de verdade e o que só existe na cabela de Riggan. Achei isso escandaloso de bem feito. Sem contar que tem muito tempo que não vejo a academia premiar um filme desse tipo, e ele é muito foda para não ser premiado. 

Outro ponto positivo - loucamente positivo - é a questão dos planos sequenciais. Percebi logo nos primeiros minutos que as cenas tinham pouquíssimos cortes, e só quando era muito necessário, ou muito poético. Isso é um puta trabalho para a edição, direção, técnica e atuação. Tudo tem que estar em muita sincronia, e você sente isso na equipe que aparece na tela. O sincronismo é irreal de tão bom. É uma câmera pulsante, que acompanha a loucura dos bastidores e te faz respirar junto a ela. Não é oculta, sabe? Ela é presente e chega a ser o próprio personagem em alguns momentos. Ela dança entre ser um novo alguém no filme, ou entrar no lugar de outrem, como fez no lugar de Norton em uma pequena passagem e de Keaton, na melhor cena da Emma Stone. Então não dá para ignorar o homem que fica literalmente por trás das câmeras desse filme, e nos dá uma genial fotografia de quebra. Acreditem, se já é difícil gravar um filme  em pequenos cortes de segundos, me diga como seria uma cena de dez minutos sem corte algum? E isso não falo de um personagem parado, porque não existe calma em momento nenhum desse filme. Falo de sobe, desce, rua, telhado, corredores, e tudo o que gira ao redor daquilo. Puta que pariu, é perfeito! 


Birdman está concorrendo nas seguintes categorias: FILME, DIRETOR, ATOR, ATOR COADJUVANTE, ATRIZ COADJUVANTE, ROTEIRO ORIGINAL, FOTOGRAFIA, EDIÇÃO DE SOM E MIXAGEM DE SOM. Eu voto nele para filme pela originalidade, mesmo com tantos outros de peso. Se a academia der o prêmio de melhor filme para ele, talvez dê o de direção para o de Boyhood, fugindo do padrão Filme/Direção. Keaton está concorrendo com uma atuação entre drama e comédia, o que é diferente de todos os outros que vi. Vamos ver como a academia vai premiar isso. Eu boto minhas fichas em Norton para coadjuvante, Ele tá muito bom nesse papel, mesmo que o outro forte para mim seja o Jk Simons, de Whiplash. Não acredito que Emma Stone leve como coadjuvante por conta das outras, mas no cinema tudo é possível. Roteiro se não derem  a ele vou dizer que foi marmota. Não tem melhor no original. Também daria fotografia pelos planos sequenciais, é um trabalho de cão fotografar cenas desse tipo, ainda que tenhamos Budapeste e Sr, Turner brigando feio na parada. Edição de som eu acredito mais em Sniper, por ser filme de guerra. E Mixagem eu votaria em Whiplash, por ser de música e praticamente não ter chances com quase nada. 

Todos sabem o quanto esse ano o meu coração é de O Jogo da Imitação, mas minha cabeça é altamente de Birdman. É um filme sensível, cabeça, com um puta significado nas cenas que parecem não ter significado algum e altas chances de ser o grande vencedor da noite do Oscar. Estou muito orgulhosa desse filme ter sido indicado na categoria principal, e na real? Torcendo por ele. Se não for O Jogo, e tenho certeza de que não será, então que seja Birdman pela originalidade e coragem num projeto tão audacioso. 





[Filme] O Jogo da Imitação






Sinopse: Esta biografia de Alan Turing (Benedict Cumberbatch) acompanha sua ascensão no mundo da tecnologia, quando seus conhecimentos inestimáveis em matemática, lógica e ciência da computação contribuíram com as estratégias usadas pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, este homem tinha diversos conflitos com sua própria homossexualidade, buscando soluções de cura, e vindo a cometer suicídio em 1954.




Olha, eu sou completamente suspeita para falar de qualquer filme onde Benedict Cumberbatch atue como protagonista. Todo mundo aqui sabe que minha paixão por ele apareceu depois do seriado Sherlock, e desde então vejo passarinhos sorridentes cada vez que assisto um filme onde ele esteja, ou escuto a voz deliciosa do dragão em O Hobbit. Ainda assim tentarei colocar esse amor de lado para falar de O Jogo da Imitação, um dos filmes indicados ao Oscar desse ano. 

O filme é biográfico e vai contar um pedaço da vida de Alan Turing, um famoso matemático que até então eu só conhecia através das falas de Sheldon Cooper em The Big Bang Theory. 


O período é durante a segunda guerra mundial, quando os alemães estavam tomando toda a Europa, e tinham criado um tipo de código secreto de conversação através de uma máquina chamada Enigma. 

Alan entra na história quando a inteligência militar do governo inglês propõe que um grupo dos melhores matemáticos do país tentem desvendar a forma com a qual eles se comunicam, para que possam ser interceptados. O grande problema é que eles sempre vão estar atrasados quanto a desvendar tais códigos, já que em vinte e quatro horas, tudo muda nos parâmetros do significado, e o que eles ouviram no dia anterior deixa de valer.  Esse torna-se o problema do grupo de estudiosos: o tempo deles era humano, enquanto o tempo da máquina Enigma era altamente mais evoluído. 


Alan surge com a ideia de criar uma máquina para desvendar os significados do código da outra máquina, e trabalha nisso como se não existisse mais ninguém ao redor. Inclusive provocando a ira dos outros homens do grupo, pelo isolamento e por nenhum deles acreditarem que aquilo daria certo. 

Então nós acompanhamos a criação dessa máquina e tudo o que Alan passa por causa dela. De se tornar responsável pelo grupo, recrutar mais pessoas, sendo uma delas Joan, a única mulher; e bater de frente com o chefe militar que é responsável por esse programa secreto. Isso do jeito delicado dele. 


Alan me lembra um pouco aqueles autistas que tem certos problemas com o social. Tudo o que envolva a sua matemática é algo que ele compreende, e tudo o que não envolva é dispensado, inclusive as pessoas. É mal educado sem nem notar que está sendo, e as vezes um isolado socialmente por não sentir necessidade de ser social, entendem? É na dele, e ainda assim consegue ser incrível. E como não elogiar a atuação delicada de Benedict nesse papel? Só louros para ele!

Alan era homossexual, um crime na época para os ingleses, com direito a prisão e tudo. Ou, no caso dele depois que o governo descobriu sua sexualidade, uma espécie de castração química. Foi um cara importante para o país por ter evitado mais mortes numa guerra que parecia perdida, e recebeu uma castração química como presente governamental. 


Joan, que é interpretada por Keira, entra na história por ser uma das melhores pessoas para matemática do grupo de Alan, mas que se vê presa nos moldes feministas sociais da época. Não tinham mulheres trabalhando nesse tipo de projeto porque mulheres não poderiam fazer essas coisas naquele tempo. Então Alan acaba interferindo nisso, tomando uma atitude para deixá-la próximo a ele, mas indo ao contrário de quem ele realmente era. Sério, tive dó dele nesses momentos, e depois o amei mais um pouco porque era um cara sensacional e humano. 

O governo não castrou Alan apenas por ser homossexual. Durante todo o filme nós vemos como ele ia sendo usado num joguete poderoso, que o colocava em cada situação de pura aflição. Hora jogava para alguém em prol de proteger o projeto, hora jogava para o outro lado, em prol de proteger quem amava. E por fim, quando não se fez mais necessário a eles, foi dispensado, e seu trabalho teve que seguir o mesmo curso, já que era um projeto secreto. 


Se teve algo que não gostei muito, apesar da sensibilidade com a qual o diretor tratou, foi o final. Tipo, sei que é biográfico, e que aquele simples apagar de luzes teve muito mais significado do que somente um apagar de luzes. Ainda assim eu senti como se tivesse cortado meu cordão umbilical com a história muito rapidamente. Fiquei dois dias de ressaca porque o filme tem essa intenção, e porque não é possível que eu esnobe a ideia de colocar Benedict no colo depois daquele final. Só amores por esse homem!

O Jogo da Imitação está concorrendo ao Oscar em oito categorias. Dentre elas estão: FILME, DIRETOR, ATOR, ATRIZ COADJUVANTE, ROTEIRO ADAPTADO, EDIÇÃO, DESIGN DE PRODUÇÃO E TRILHA SONORA. Infelizmente dentre as opções que ele está, não boto muito fé em quase nenhuma, mesmo que ache que Benedict tenha trabalhado tão bem quanto Cooper em Sniper Americano ou Redmayne em A Teoria de Tudo. São atuações completamente diferentes, e cada um com seu grau de importância. Então acho que ai vai da Academia em escolher o que melhor convém para eles este ano. Não acho que Keira ganhe com coadjuvante por conta das outras concorrentes, e nem vi nada muito expressivo dela nesse filme. Diretor eu ainda aposto no de Boyhood. O roteiro é coisa de gênio, mas ele vem junto com A Teoria e Sniper, que são concorrentes de peso. De edição é complicado porque tem um filme de guerra no meio, sem contar que Boyhood tem uma puta de edição. Design de produção não rola, não com Caminhos da Floresta e Grande Hotel Budapeste no meio. E trilha, só se for prêmio de consolação, mas a de Grande Hotel também é a melhor. 


Em resumo, até agora esse é meu filme predileto, mas os meus prediletos quase nunca são os prediletos da maioria. E esse ano a disputa está complicada porque existem muitos outros filmes que seguem um padrão de amor da Academia. Então mesmo que seja a minha paixão cinematográfica do ano, não acredito nas chances dele nessa premiação. Mas como sempre digo que o Oscar é uma questão política e de agradar a todos, pode ser que ele ganhe um prêmio de consolação, como citei acima. De fato merece, mas nem sempre a vida é justa.


O Jogo da Imitação é uma puta filme biográfico bem feito, mostrando os problemas sociais de uma época opressiva, e de um cara muito foda jogado naquilo, que foi uma espécie de herói para os europeus, e que morreu sem o reconhecimento disso. Você tem aqui muitos motivos para assistir ao filme, e poderia dar muitos outros até que vocês se convençam a vê-lo.


Resenha de "As Batidas Perdidas do Coração" (Bianca Briones)







Viviane acaba de perder o pai. Com a mãe em depressão, ela se vê obrigada a assumir o controle da casa com o irmão mais novo. Rafael teve o pai assassinado há alguns anos e agora viu quatro pessoas de sua família, incluindo a única irmã, morrerem em um acidente de carro.
Viviane pertence a uma classe social que ele despreza. Rafael é tudo o que ela sempre ouviu que deveria evitar. Eles são opostos, porém dividem a mesma dor. Jamais se aproximariam se a morte não os colocasse frente a frente, e agora, por mais que saibam que são completamente errados um para o outro, não conseguem evitar uma intensa conexão, que poderá salvá-los ou condená-los para sempre.
As batidas perdidas do coração é uma história sobre perdas e como cada um lida com elas. É o encontro atormentado entre a dor e o amor. Com uma narrativa sexy, envolvente e repleta de música, este livro traz a última tentativa de duas pessoas arruinadas que, juntas, buscam desesperadamente se encontrar.

É interessante ver como um processo de escrita se desenrola. Tudo bem que não conheço Bianca e não acompanhei como funcionou a escrita do livro, mas sou super antenada na Alba, do Psychobooks, e ela as vezes comentava sobre o andamento dele, e da proposta da autora. E quando menos esperava, olha ele saindo pela Verus! Para mim enquanto leitora e escritora, é uma felicidade ver os autores nacionais indo para frente. Deixa uma sensação de que eu posso conseguir também.

Já tem algum tempo que li As Batidas, e vou tentar passar os olhos por cima para contar para vocês o que achei da história. De resumo ela é bem o que diz ai na sinopse. Vai contar a história de Viviane, uma menina cheia da grana que vem de uma família tradicional, de pessoas também cheias da grana. E de Rafael, um dos caras mais ferrados que já conheci em livros, e estou fazendo um elogio nesse caso. Ambos perderam parentes, e por causa disso que acabam se conhecendo. Meio que eles se resgatam da depressão pós morte nos braços um do outro.

É um New Adult cheio de momentos de tensão, já vou avisando. Comecei num gás incrível. Estava adorando o ritmo, os personagens, a tensão sexual que existia entre eles. Realmente é um casal que combina junto. E então veio meu primeiro problema, e digo que a culpa foi mais minha do que da história. Estava num clima para um New Adult mais leve, e Briones trabalhou uns temas bem pesados no meio. A gente vem num ritmo sedutor e descontraído, e cai em um dos sérios problemas de Rafael. Digo um porque como disse lá em cima, o cara é fodido demais, e problema é o que não falta para ele.

Além do tema da morte dos familiares, a gente vê as problemáticas de cada um deles individualmente. O avô controlador de Viviane; o resto - quase nulo - da família distante de Rafael. Ao ler percebemos que metade dos problemas deles são culpa deles mesmos, e isso me deu uma agonia triste porque tinha vontade de matá-los. Foi quando cheguei num ponto da história que não consegui continuar, e deixei o livro parado por mais de dois meses. Não estava MESMO no clima para aquilo.

E desse ponto até o fim é de um problema para outro pior. Sai de um assunto pesado para um outro, e para um outro. E lá perto do fim tem outro mais pesado. Ou seja, foi uma bagunça sentimental ler essa história. Isso é ruim? Depende. Se você estiver tão aflita quanto eu andava ao ler, então isso será um problema. Não é o livro aparentemente relaxado que imaginei, e isso meio que me desanimou. Mas claro que você pode ver com outros olhos, e um coração mais calmo. Aposto que dessa forma o livro lhe atingirá melhor

Algo no final também não me agradou. Acontece uma determinada situação que achei meio apressada, e até pouco crível. Mas como diz o poeta... " No amor e na guerra vale tudo". Não é minha frase de vida porque penso que "tudo" é algo que jamais compreenderemos. Mas entendo a linha de raciocínio, e tentei relevar isso.

Se você vier esperando algo descontraído, fecha o livro e volta depois. Sua cabeça tem que estar fresca para absorver todos os problemas desses dois sem querer pirar ou bater neles. Como disse, temas bem pesados com um casal que começou já com explosões típicas de casais com anos de relacionamento, não dias. Tiveram que ter uma maturidade forçada para continuar a viver, e meio que se perderam no meio do caminho.

Ainda assim é um livro muito bom. Bem escrito, e que te leva de uma maneira quase indecente.  Os capítulos são alternados entre os dois personagens, o que foi mais um motivo de querer matá-los, ou abraça-los. Adorei os dois separados, e quem são quando estão juntos. É um bom casal. Tão bom que dava pena em pensar como a vida ferrava com eles.




Livraria Dez



Oi, gente!

Então, vamos falar de coisa boa?

O Irreparável fechou uma parceria deliciosa recentemente. A partir de agora vamos começar a trabalhar em conjunto com a Livraria Dez. (Urruuu)
A Dez é uma livraria localizada em Goiânia e está no mercado há tempo suficiente para fazer um nome bacana. Isso porque além de trabalhar com livros novos, ela também funciona como uma espécie de sebo. Ou seja, trabalha com compra, troca e venda de usados. A praticidade na palma da mão, ou no tempo de um clique. 

Além de livros paradidáticos, a Dez também tem um catálogo grande de livros didáticos, o que nessa época do ano é muito bem vindo, não?! 
A livraria física está com uma promoção maravilhosa de vários títulos. A partir de R$ 1,00 vocês já podem sair de lá com um livro nas mãos. Nessas horas eu queria morar em Goiânia. 

No site também tem produtos num preço bom. Não tão bom quanto na loja física, mas bom. Passem por lá e deem uma olhada. Quem sabe não encontrem aquilo que estão procurando? Livraria nunca é demais em lugar nenhum do mundo. 




Se vocês quiserem ir na loja física, segue o endereço: 




Rua 4, Setor Central, N 780, Goiânia - GO

62) 3225-6965




E se foram dar uma navegada pelo site, eis o link: 



* O Banner deles ficará aqui la lateral do blog. Se vocês quiserem passar por aqui depois, para dar uma olhada, fiquem a vontade. 

Seja bem vinda a nossa família, Livraria Dez! 


Relatório da 2ª Semana de Maratona literária [Vídeo]


Heey, gente!
Já vou me defendendo: minha semana foi uma porcaria para leitura. Quase não li. Ainda assim consegui bater minha meta em dois livros. Falta um bocado, mas estou confiante para a terceira semana (que é essa). Cruzem os dedos por mim. 
Agora vamos dar uma olhada no que li. 


Resenha de "Tolkien, o Senhor da Fantasia" (Michael White)






“J.R.R. Tolkien, o Senhor da Fantasia” reconta a vida de Tolkien, autor de clássicos como a trilogia O Senhor dos Anéis e O Hobbit, e considerado um dos maiores autores de fantasia de todos os tempos. A biografia acompanha a vida e a trajetória do escritor, começando por sua infância na África do Sul, seguida do retorno da família para a Inglaterra. Os Tolkien estabeleceram-se em Birmingham, cidade que passava por uma rápida industrialização nos anos 1890, mas ainda era cercada por uma paisagem de tirar o fôlego. Este cenário que reunia e mesclava o coração industrial do Império britânico próximo a bosques e montanhas idílicas e selvagens foi determinante para as ideias e a escrita de Tolkien.


Quando eu li O Senhor dos Anéis pela primeira vez, era uma menina tão sonhadora que tinha sérios problemas para colocar meus pés no chão. E apesar de já ter lido todas as grandes e épicas fantasias que uma criança poderia gostar, nunca me senti realmente nelas. Talvez um pouco em Wonderland, ou Neverland e todos esses "lands" que não sou capaz de lembrar. Contudo era só um pouco, e por um breve tempo. Mas no momento em que bati os olhos no Condado, enquanto Bilbo Bolseiro preparava a festa que causou um reboliço no lugar, fui fisgada. E não fisgada do tipo 'me conquistou', fui fisgada do tipo 'jamais quero sair daqui". E de fato, acho que nunca sai. 

Existem muitas biografias de Tolkien por ai, mas no Brasil só me lembro de ter visto essa escrita pelo White, que talvez não seja o melhor autor do gênero para falar sobre a grandeza de Tolkien, mas que soube conduzir o livro de uma forma que soubéssemos quem ele era e a repercussão que causou no mundo quando começou a fazer sucesso. E mesmo eu, que não sou apaixonada por biografias, tive que tirar essa da livraria. Isso tudo apenas por ser Tolkien, o único autor que eu tenho certeza que pagaria qualquer coisa para conhecer - se estivesse vivo, claro. 

White começa narrando sobre a vida dos pais de John (Tolkien). Viveram na África, mas voltaram para a Inglaterra, pelo menos a mãe e as duas crianças voltaram. O pai de John não teve muita sorte de se manter vivo, e os deixou bem cedo. Tendo que sustentar dois filhos sozinha, e com pouco dinheiro, a mãe deles sofreu um bocado por isso, principalmente quando a família lhes deu as costas, simplesmente por ela ser católica, e não protestante, com a maioria das pessoas do país. Esse pequeno fato separatista da família, causou um forte amargor em Tolkien, que mesmo depois de velho, seguiu a religião da mãe com afinco, não se rendendo ao "mais do mesmo" dos outros. Era um homem orgulhoso, e talvez essa seja a característica mais forte sobre ele. 

Estudou em colégios bons durante toda a vida, obra de Mabel, sua mãe, que sempre corria atrás do melhor para os filhos. Fez uma faculdade prestigiada. Era um bom aluno, tinha vínculos incríveis por lá, e cultivava a afeição dos professores e um fascínio enorme por línguas antigas. Já na época criou os primeiros grupos de estudiosos, e perdeu a maioria deles por causa da guerra. 

John não conseguiu ficar alheio ao que acontecia no resto do mundo, mesmo que não quisesse participar. Não tinha o espírito heroico da maioria dos seus amigos. E enquanto eles iam para o front, Tolkien continuava os estudos na faculdade. Mesmo assim acabou indo também, mas não se demorou muito por conta de uma doença que pegou por lá. John viu a guerra, teve grandes ideias nela, mas não viveu seus horrores como a maioria dos outros soldados. Ele ia e vinha mais do que ficava. E a isso eu digo que teve um dedo divino. Tolkien não ficou em guerra porque adoeceu. Uma coisa tão banal, mas acabou o afastando de toda a loucura do mundo, e o fazendo se concentrar nas guerras fantasiosas que existiam dentro dele. 

Nesse vai e vem ele já estava com Edith, sua esposa, que era pianista e mais velha do que ele. Eles se conheceram ainda novos, quando ele  e Hillary, seu irmão, ficaram morando por um tempo no mesmo alojamento onde a jovem morava. Juntos tiveram quatro filhos, que eram a felicidade do escritor. E foi nesse período complicado da vida deles, quando John já era professor, mas ganhava pouco, que O Hobbit saiu. E sim, para aqueles que não sabem, O Senhor dos Anéis surgiu por causa de O Hobbit. Tolkien queria publicar Silmarilion, mas os editores queriam uma continuação da história dos hobbits. Uma continuação que durou vinte anos para ser concluída. 

Uma coisa bacana e que White fala muito em um capítulo só para isso, é da amizade entre Tolkien e Lewis, o fantástico escritor de As Crônicas de Nárnia. Enquanto o professor Tolkien era sério e contido, Lewis era um boêmio inveterado. Morava com uma ex viúva e tinha as ideias mais calorosas entre os grupos de amigos que se juntavam para debater seus escritos. E ai vem uma parte da vida de Tolkien que me fez repensar o homem divino que eu achava que ele era. Tolkien era extremamente ciumento! E no livro White fala muito sobre esse ciúme em relação ao melhor amigo, Lewis. O escritor de Nárnia não nasceu para ser melhor amigo de um homem só, mas Tolkien não via isso, e o fato provocou muitas brigas entre eles, a ponto de a amizade ser ameaçada e eles se distanciarem com o tempo. 

Tolkien foi mesquinho com Lewis. Enquanto Lewis escrevia maravilhas sobre os livros de Tolkien, esse, por sua vez, sempre tinha críticas ácidas acerca de As Crônicas de Nárnia. Era o orgulhoso professor falando. Mas Lewis tinha muito o que agradecer a Tolkien. Antes da amizade deles, Lewis não acreditava em Deus, Então podemos dizer que Tolkien foi o responsável pela religiosidade do outro, e em consequência, pelas Crônicas de Nárnia, já que todos sabemos o quanto de ideias e metáforas cristãs existem naqueles livros. 

Se vocês me deixarem, vou passar o dia aqui lembrando de cada detalhe da vida daquele homem. Juro que consigo lembrar mais da vida dele, do que do comi na noite de ontem. O fato de ser apaixonada pelo trabalho de Tolkien antes de conhecer tudo o que poderia sobre ele, tornou mais fácil a leitura. Tinha coisas que já sabia, mas não entendia a profundidade; e tinha coisas novas as quais eu agradeço muito a White por ter me mostrado. 

Era um homem comum, escrevendo livros no tempo vago e dando aulas para alunos vigorosos. Um cara com um mundo inteiro dentro da cabeça e que conquistou um outro mundo quando conseguiu por aquilo no papel. 

Meu olho sempre enche de lágrima só de pensar na Terra Média. Digo e repito sempre por aqui que o que ele me deu, mesmo sem nem saber que eu existia, foi grande demais até para meus moldes sonhadores. Não tem nada dele que eu leia e não me apaixone. Eu sou uma Tolkienmaníaca com orgulho! Não existe escritor que eu queira conhecer nesse mundo, porque meu escritor predileto vive em outro mundo, em um buraco no chão, onde vivem os hobbits. Fumando cachimbo e fazendo desenhos com  a fumaça. Esperando Gandalf, e quem sabe, até eu mesma para um chá. Porque os hobbits são criaturinhas hospitaleiras e fantásticas. 

Não tem como achar ruim a história de vida de um cara que passei 2/3 da minha vida amando de coração. Ler a biografia só provou que ele era humano, o que o torna mais incrível ainda. Então talvez você não goste do que vai ler, mas eu adorei com todas as minhas forças. 

[TOP 10] Mocinhos literários de 2014 (Vídeo)


E para completar a postagem anterior sobre as mocinhas, eis a postagem sobre eles... os caras que conquistaram meu coração esse ano. Essa lista foi bem mais difícil do que a anterior, e escolhi por características diferenciadas. Amo particularidades próprias de cada um desses caras.


Resenhas dos livros citados: 

Mar da Tranquilidade: http://goo.gl/zpr7LC
A Filha de Sangue : http://goo.gl/T4R1OK
Fúria Vermelha: http://goo.gl/M2gWXZ
Álbum de Casamento: http://goo.gl/FOdjsJ
Fênix, a Ilha: http://goo.gl/Ovnmw0
O Jogo do Anjo: http://goo.gl/iOSMCj
Garotos Corvos: http://goo.gl/3lVHA4
O Lado mais Sombrio: http://goo.gl/XLlmDy
Mundo Novo: http://goo.gl/U1qnNs
Colin Fischer: http://goo.gl/E0HEKx

[Filme] O Grande Hotel Budapeste





Sinopse: No período entre as duas guerras mundiais, o famoso gerente de um hotel europeu conhece um jovem empregado e os dois tornam-se melhores amigos. Entre as aventuras vividas pelos dois, constam o roubo de um famoso quadro do Renascimento, a batalha pela grande fortuna de uma família e as transformações históricas durante a primeira metade do século XX.






Olha, tinha muito tempo que não me divertia tanto com um filme como me diverti com O Grande Hotel Budapeste. E longe de qualquer tipo de comédia apelativa, essa você ri pelos tipos humanos variados e totalmente irreais, ainda que dentro do crível. Virei a madrugada assistindo e rindo com as loucuras dos dois personagens principais, e chamando de gênio o diretor/roteirista que já tinha me surpreendido com outros filmes, mas que nesse se superou. 

O Grande Hotel Budapeste está concorrendo a nove categorias do Oscar deste ano, o que não é de se espantar. Ele tem todos aqueles quesitos que os grandes críticos de cinema gostam. Então mesmo que filmes como o Boyhood, por exemplo, tenham um peso maior para o prêmio principal, eles não tem os quesitos técnicos que ajudam a distribuir o filme entre tantas outras categorias, como é o caso deste. Pessoalmente não acredito que Grande Hotel leve o prêmio principal, mas creio que alguns técnicos interessantes ele levará. 


A história gira em torno desse hotel. Começamos vendo um escritor já velho, relatando sobre o tempo que passou dentro do Grande Hotel Budapeste. E então a história entra na história desse autor, quando lhe foi apresentado o dono do local. E como para complicar mais a vida, o dono conta como ele conseguiu o local. Então é uma história, dentro de uma história, dentro de outra história. Pode parecer meio louco, mas eu não senti problema algum em acompanhar esse raciocínio. 

E tudo bem, aqui temos o que acontece de fato no filme. Gustave, que trabalha como um chefe desse hotel, conhece Zéro, o mais novo mensageiro do lugar. E já nesse pequeno início entre a amizade deles, você ri da singularidade com a qual o diretor trata essa breve passagem de cena. É rápida, hilária e muito bem feita. Aliás, o filme todo tem uma agilidade nos acontecimentos, que casa com maestria na trilha sonora MARAVILHOSA, e que parece ter sido desenhada em cima das falas dos personagens. 

Tornando-se grandes amigos, Gustave leva Zéro para o enterro de uma conhecida, que morreu de modo suspeito, e que tratou de deixar um quadro muito famoso para Gustave em testamento. O problema é que a família da velha é psicótica por dinheiro, além de bem perigosa,  e esse fato vai fazer com que Gustave e Zéro entrem num emaranhado de acontecimentos bizarros para manter o último desejo dela. 


É bobo o enredo, não é? Mas como falei, o genial desse filme é tudo o que combina com esse enredo simples. Tem cenas que babo por serem tão bonitas, e aqui eu falo de uma beleza estética mesmo. Da composição de cores e luzes em uma cena, como o cenário delicioso e aconchegante do Grande hotel. O elevador? De babar! 

E o elenco? Bom, esse é um caso a parte, porque já vou dizendo que nem os personagens secundários, terciários e etc, deixam de ter o seu próprio brilho quando aparecem. Grandes atores até em cenas minúsculas. E quando falo grande, não digo apenas famoso, porque vamos combinar, nunca vi o ator que interpreta Zéro atuando antes, e ele foi - de longe - o meu personagem predileto. Eles são tão caricatos, que até a postura do ator em cena, ou o modo como arruma o chapéu na cabeça, torna o quadro incrível. E a bizarrice do impossível, é a comédia não apelativa que combina com perfeição em quem atua na cena. Sério, não tem um momento ruim desse filme. Desculpe o palavrão, mas é um filme do caralho! 

As categorias que Grande Hotel Budapeste concorre são FILME, DIREÇÃO, ROTEIRO ORIGINAL, FOTOGRAFIA, EDIÇÃO, DESIGN DE PRODUÇÃO, FIGURINO, MAQUIAGEM/ CABELO E TRILHA SONORA. Dessas categorias, eu não daria a principal, por não ser o tipo de filme que eles premiam, nem o de direção por conta de Boyhood, que foi um puta trabalho para fazer o ator voltar ao personagem ano após anos. Acho que edição também deve ficar por conta de Boyhood, ou algum dos dramas. Com Birdman concorrendo a mesma categoria de roteiro, também não acredito que leve, por mais que eu ache digno. Figurino ele terá que brigar com Caminhos da Floresta, que tem um visual de roupa sem igual, Mas acredito que ele tenha chances com fotografia, design de produção e maquiagem/cabelo; além da chance altíssima de levar a trilha sonora. Até agora não vi uma tilha melhor do que a dele. 


Essa é a resenha do primeiro filme para o Oscar 2015, e fico feliz que tenha sido um filme para me fazer rir. Mas podem  ir esperando que vem muita coisa por aqui até o dia da premiação. 

Então se vocês gostam da comédia simples e inteligente, movida a tantas outras coisas geniais de fundo, veja O Grande Hotel Budapeste. Ele é, de fato, um filme incrível!


[TOP 10] Mocinhas literárias de 2014 (Vídeo)


Como prometido, eis o vídeo onde falo sobre as minhas mocinhas prediletas de 2014.
Algumas delas vocês conhecem por aqui, por conta das resenhas. Outras ainda não existem no site nem no canal, mas podem ser apresentadas a vocês. É só me pedir.


Resenhas já feitas:

Proibido: http://goo.gl/DXsNTA
Vain: http://goo.gl/NL3BY3
Cidade da Meia-Noite: http://goo.gl/BahiJB
A evolução de Mara Dyer: http://goo.gl/EnsaKi
Silo: http://goo.gl/l540gT
Mundo Novo: http://goo.gl/uDh9HI
Dark House: http://goo.gl/M0A6ZU